Faz tempo que percebi como o pobre Nietzche é utilizado por todos os lados. Suas frases fragmentadas podem encaixar na argumentação de muita coisa fora do contexto que foi dita. A irmã de Nietzche foi a primeira e por isto, por muito tempo ele era visto como algo nazista.
Mas ultimamente, por irônico que seja, as pessoas que têm usado seu nome em vão são religiosas. Foram duas ocasiões que presenciei isto, a primeira foi com a frase “ajoelharia diante de um deus que dançasse”, que um Hare Krishna usou quando tentava me convencer que Nietzche apreciava esta religião. Se fizessemos uma lista de deuses que dançam acho que Nietzche tería muitas religiões, mas o importante é que quando disse isto, dentro do contexto, não está relacionado em favor de nenhuma religião, senão contra o catolicismo que impregnava a moral de sua época. A segunda foi recentemente, quando li no livro “Tantra: Suprema Compreensão” de Osho a frase “Deus está morto” firmada por Nietzche. É até dificil entender a lógica de Osho nesta relação com o Tantra, sinceramente ele deu tantas voltas que não consegui nem sacar conclusões de sua relação e percebi que não valia a pena seguir tentando entender....
A interpretação de uma obra pode ser dada as vezes em sentidos opostos entre as pessoas e o autor, afinal o pensamento também é uma arte. Mas tudo isto tem um mérito, o de utilizar a introspeção para interpretar algo que chega a nós, apesar que quase sempre interpretamos o que queremos escutar, o que nos parece mais apropriado, para o bem ou para o mal. O que não tem mérito é distorcer uma conclusão de um nome respeitado para conseguir respeito.
Devemos ter cuidado ao ouvir a interpretação de outros sobre uma pessoa ou pensamento e absorvê-la. Isto vale também para as notícias dos jornais e os comentários dos vezinhos.
10 de ago. de 2010
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